Gabriella e Caroline

Encontrei Manfrini e Gabriel no Estádio do São Cristóvão em uma segunda-feira. Quem nos recebeu foi o historiador do clube, Paulo Jorge, que nos apresentou as dependências e a sala de troféus, contando um pouco da história do São Cristóvão.

Botafoguense, Manfrini sempre teve o futebol como parte de sua vida, a começar pelo nome, deixado como herança por seu avô. “Meu avô era torcedor do Atlético Mineiro e quando ele descobriu que seria avô, ele sonhou que ia ter um neto botafoguense e deixou esse nome pro meu pai.” Manfrini, então, foi batizado com o nome do meio-campista que atuou no alvinegro no final dos anos 1970.

No entanto, por causa de seu jeito afeminado e preconceitos sofridos na infância, o futebol acabou sendo deixado de lado. “Na terapia, eu resgatei esse amor.” De aniversário, Manfrini se deu de presente uma ida ao Nilton Santos na caravana da torcida Fogoró, onde se sentiu acolhido. Dali em diante, passou a frequentar os jogos e fez seu cadastro na organizada. “Eu fui vendo que eu não estava sozinho, que tinham outras pessoas que também queriam viver isso. Eu comecei a trabalhar a questão de acolhimento de LGBT+ dentro do estádio.”

No dia anterior, Manfrini havia levado Gabriel em seu primeiro jogo do Flamengo no Maracanã. O relacionamento com Manfrini fez Gabriel redescobrir o amor pelo esporte. “Na minha cabeça, eu pensava que ser LGBT, ir em estádio, no jogo em si, não era o lugar que eu me sentia acolhido.” As experiências com a torcida organizada que Manfrini faz parte, no entanto, fizeram Gabriel mudar de ideia. “A torcida me acolheu de uma tal forma, mesmo eu não sendo botafoguense, que reativou uma emoção que eu não sentia há muito tempo, sabe? […] Ter ido no jogo e perceber que desconhecidos me acolheram me fez perceber que, mesmo sendo LGBT, eu tenho um lugar ainda pra participar dos jogos.”

Próximo
Próximo

Beatriz